Sexta-feira, Julho 16, 2004


Vale a pena ler de novo! de 15 de agosto de 2003 - dois depois do aniversário do meu pai!

E Deus não ouviu as preces...



Ele era um menino com quatro irmãos, dois homens e duas mulheres, dois mais novos e dois mais velhos. Ele ficava bem no meio.

Família simples. Um dia, quando ele tinha 8 anos - 1 a menos do que o Fernando - sua mãe morreu. Uma tragédia. Uma doença inexplicável a levou em questão de dias. O pai sem estrutura entregou os filhos a família da esposa, vindo a falecer dois anos depois.

A família tinha um armazém, que faliu. Ele e um dos irmãos foram para colégios internos, depois retornaram e foram espalhados pelas irmãs de sua mãe. Uma das irmãs da mãe, que era solteira, reuniu os irmãos, apenas o mais velho ficou com outra das irmãs. Ele, trabalhou na fábrica do tio, ainda criança, que lutava para se reerguer. Carregou caixa, vendeu doce, estudou, trabalhou, trabalhou, trabalhou... Muitas vezes, nos idos de 1940 e pouco, sem dinheiro nem para a passagem, andava por horas, depois de trabalhar, até chegar em casa. Era ainda uma criança.

A irmã mais velha, com 18 anos na época, faleceu, vítima de tifo. Mais uma perda!

Estudou a noite, trabalhou de dia, em mais de um emprego, chegando em casa quase na hora de levantar e sair para trabalhar.

Vencendo as dificuldades, uma a uma, se formou. Contador. Abriu um escritório, e começou a trabalhar também como funcionário público. Casou e teve dois filhos - uma menina e um menino.

Continuava trabalhando muito, ralando de sol a sol. No escritório particular e no trabalho público. Dinheiro curto, vidinha regrada. Mas era pai de sentar na cama e contar história, imitando as vozes dos personagens. De carregar os filhos, os dois juntos, quatro lances de escada acima, pq haviam dormido no carro. E os filhos já tinham 6 e 8 anos.

Fim de semana, levava para a pracinha para brincar, ensinava a andar de bicicleta no playground, levava ao bar para comprar balinha, levava ao cinema. Não deixava mascar chiclete dizia sempre: - se vcs soubessem como isso é feito, não poriam na boca. E contava.

Mudou-se para Brasília em busca de uma vida melhor. Lá tinha direito a carro com motorista, e uma série de benefícios. Dispensou-os. Era acima de tudo um homem honesto. Seguiu dedicado, trabalhando, nunca colocou o paletó na cadeira e sumiu. Podia ser um homem rico, mas era honesto e sempre se negou a aprovar contas indevidas. Nunca aceitou nenhum "agrado".

Seguia ouvindo os filhos. Deu a filha o seu primeiro sutiã, fazia as compras de supermercado, ia a feira, ao shopping com a filha, matriculava-a em tudo que ela pedia: ballet, dança moderna, natação, inglês, corte e costura, patinação artística no gelo.... A menina tinha gênio, era caprichosa, muitas vezes batia de frente com seu pai. Quando passou no vestibular, foi uma grande alegria para o pai. Ele fazia todas as suas vontades. Quando seus filhos fizeram idade para dirigir, deu-lhes um carro - mas depois da auto-escola, saiu muito com a filha, ensinou-lhe responsabilidade, atenção, antes de entregar definitivamente a chave do carro. Telefonemas no meio do dia:
- Pai, bati meu carro.
- Você está bem?
- To, errei na hora de estacionar e bati na pilastra (poste, árvore).
- Dá para andar?
- Dá.
- Amanhã eu levo para consertar, está tudo bem.

Tanto que a garota só descobriu que dinheiro tinha fim quando casou. Fazendo as contas com o marido ele sentenciou: - o dinheiro acabou! Em desespero, sem entender como podia se dar tamanha tragédia, chorou muito. Mas foi salva, como sempre, por seu pai.

Ele amava a família. Era companheiro dos amigos, que nunca escolheu por posição social. Amável com a faxineira e com o ministro, mais com a faxineira do que com o ministro, diga-se de passagem. Abria as portas de sua casa para todos, sempre muito festeiro. Nunca permitiu que uma criança passasse fome perto dele:
Uma vez almoçando (muitos restaurantes eram em áreas abertas nas quadras, nos idos dos anos 70 e 80):
- Tio, me dá um trocado, para eu comprar comida?
- Vc está com fome? Perguntou ele.
- Sim, tio. Tenho mais x irmãos e minha mãe.
- Então senta aqui e come.
Ele pediu que servissem o menino. Serviram. No meio do prato, o menino vira-se para ele e pergunta:
- Tio, posso pedir para embrulhar para eu levar o resto?
- Vc ainda está com fome?
- Sim, mas quero dividir com meus irmãos.
- Pode comer e eu peço para eles fazerem mais um prato para vc levar.
E entregou ao menino, depois da refeição, mais que o suficiente para duas refeições da família inteira.

Aposentou-se e novamente se mudou com a família, para a terra natal. A diabetes estava roendo sua saúde, nunca fora muito de médicos. Um dia, com os filhos já casados e avô da primeira neta, ficou cego!

Homem ativo, teve que aprender a viver com a cegueira. Não faltaram médicos, não faltaram orações e pedidos. Queridos pelos amigos, cada qual em sua religião, com seu médico, se desdobravam por ele. Operou, mas não houve jeito. O problema atingira o nervo ótico. Fim das esperanças. A esposa, dedicada, cuida e zela por ele, mas não se conforma. Por muitos anos chorou.

A menina, se revoltou, pois depois de muito pedir, muito rezar, Deus não ouvira suas preces! Ele aceitou sereno. Ficou mais religioso. Aprendeu a se movimentar. Usa internet. Grava cds e presenteia as pessoas, com seleções musicais que ele faz. Toda vez que é chamado a colaborar num trabalho escolar, de um dos netos, se desdobra, se esmera para conseguir tudo sobre o tema.

Atento as notícias, informa a todos, o que está acontecendo na cidade. A filha entendeu, que Deus ouvira sim as suas preces, dera ao seu pai serenidade e vida. Ela tem o pai até hoje, coisa que ele não teve. Um pai sábio, amoroso, um dos melhores seres humanos que Deus colocou na terra. Exemplo para ela e para muita gente. Não lamenta o que não pode fazer, mas certamente faz muito mais do que pode.

Esse é meu pai, Deus me deu a chance de ter um pai, que é um exemplo, todos os dias de sua vida, Ele atendeu não só as minhas preces, mas como me deu muito mais - Obrigada meu Deus!


12:30 AM


Quinta-feira, Julho 15, 2004


INFERias de Novo



Estamos de férias. Ai Deus, estamos de férias! O que isso significa? Neurônios suicidas, briga para banho, brigas entre eles, brigas, torneios... E mais brigas!

Temos um rodízio de crianças entrando e saindo. A campainha parece tocar uma sinfonia. Sim, pq pouco silencia. Entra um, sai outro - neste meio tempo a Manoela (cadela) foge e vai se vingar dos maltratos sofridos nos passarinhos da vizinha. E lá vou eu catá-la. Antes do inevitável xixi no tapete...

Ela foge de novo, e vai para a casa da velhinhas de cabelos lilás... Vou buscá-la antes que ela se torne uma cadela-lilás!

E a campainha continua sua sinfonia sem fim... Eventualmente aparece uma cachorro diferente... O cachorro da cobertura escapou, achou minha porta aberta (que surpresa!) e pronto... Pelo menos os meus não são os únicos doidos...

Experimente fazer uma ligeira menção de que vai falar no telefone? Vc pode ser abatida se tentar andar na direção do aparelho. Vc tem direito a usar apenas a segunda linha, e se eventualmente o outro não estiver ocupado. O que na realidade é quase impossível.

Temos também o momento " O Amor é Lindo". Quatro adolescentes apaixonadas. O telefone não pára. Por que? Uma liga para outra, que liga para a "uma", que confere com a outra ainda. Uma dorme na casa da outra, e depois a outra chama, chama mais uma outra...E aí convidam os respectivos para um DVDzinho básico no sofá da sala, onde a transgênica assiste sem nenhum constrangimento as novelas da noite. E a casa fica movimentada, cheia de amor, troca de olhares, risos nervosos... Ninguém tem fome.

Os cachorros terão uma diversão: mais 10 pares de novas canelas para cheirar... Vinte novos tênis para eles morderem... Uma verdadeira festa canina e adolescente.

Teremos jogos, brincadeiras, selinhos, gritos, suspiros, conversas até a madrugada... Três meninas no mesmo quarto, depois que os príncipes encantados deixarem o recinto? È papo para umas 3 encarnações.

Marquei treino para o Fernando amanhã pela manhã, cabeleireiro para mim e para a Bibi, e pelo visto para mais 2 adolescentes que estarão junto...

Quantos dias de férias mesmo são? BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! Mas sabem o que realmente me preocupa: Estou amando esta movimentação louca. Isso significa que quando for renovar minha carteira de motorista daqui a dois meses, não vou passar no psicotécnico... Sou completamente louca.... hahahahhahaaha!

Estou lá hoje, onde? Nos Dinos, com um filme de terror!



O Mãe 24h, mais uma vez, nesta quinta-feira, curva-se, respeitosamente, diante de outra Mãe, a Mãe da Luz. Vá conhecer. Para quem quer ser mãe, e para quem é mãe, lá todos temos muito a aprender.


7:31 AM


Quarta-feira, Julho 14, 2004


A clínica foi um sucesso. Mais força na batida. Mais consciência do que está fazendo...
Em compensação gripe da mãe, a sensação de que preciso de uma bússola (que não ia adiantar em nada, diga-se de passagem) - foram os pontos obscuros desta viagem.

Começa a saga dos torneios. Julho será um mês movimentado. Vou viajar para caramba. Isso na prática significa que até o fim do mês posso estar morando em outra cidade que não seja o Rio de Janeiro, simplesmente pq não pude voltar para casa.

Preciso ir para cidades com no máximo três ruas - e acho que ainda assim - vou me perder.

Estou me preparando para me tornar uma mochileira. Imaginem:
1. Um pivete espoleta
2. Uma adolescente irritada, louca para voltar à civilização...
3. 100 e poucos tenistas disputando uma quadra a unha...
4. Hotéis complicadíssimos em relação a estrutura...
5. Uma mulher a beira de um ataque de nervos - (eu)

Então, senhoras e senhores, peço clemência! Penico! Socorro! Asilo Político! Qualquer coisa até um disfarce de mulher-gato eu estou aceitando!

O problema é que toda Penélope Charmosa tem seu dia de Incrível Hulk




10:05 AM


Terça-feira, Julho 13, 2004


Para Viver um Grande Amor



Gente a minha passagem por Americana foi meteórica, mas ainda assim rendeu uma visita do Túlio. Cantoria, bate-papo... Foi show! Teve foto mas o blogger não está permitindo muitas estripulias...

Hj o dia está corrido, então vou deixar uma coisa para vcs pensarem:

Uma vez eu perguntei, aqui mesmo no blog: quem queria viver um amor de Julieta (ou Romeu)?(não é a história, é só o sentimento) Será que mesmo não correspondido, isso não provaria que podemos amar com intensidade e que seriamos capazes de repetir este sentimento?

Será que o amor de Julieta ou de Romeu, só pode ser vivido na adolescência? Ou amor nos torna adolescentes em qq idade?

A grande pergunta é: Vc gostaria de amar, como Romeu ou Julieta?

E por último - é muito bom ver uma turminha de adolescentes apaixonadas por perto... É como se a vida se renovasse... E que eu tivesse todas as flores no meu jardim!

Quem quiser, pode responder por e-mail!


8:07 AM


Segunda-feira, Julho 12, 2004


Quando eu vim ao mundo, Deus disse:



- Essa aí, nem com um GPS...

E assim foi em Sampa. O que eu fiz lá? Me perdi por uma semana.

Se há 60 caminhos diferentes do Brooklin até a Granja Vianna eu fiz uns 95. Pois é, me perdi, me perdi e me perdi mil vezes. Tinha altos planos de encontrar um monte de gente. Fim das contas: não encontrei ninguém! Quando não estava perdida, estava engarrafada.

Algumas antológicas:

- Depois de algum esforço cheguei ao shopping jardim sul - é cheguei!!! Em compensaaaação, perdi o carro no estacionamento. Sim, podem acreditar! Em que piso deixei o carro? Se não fosse a Bibi até hoje estaria procurando o dito cujo. Ela encontrou o carro...

- Fui parar em Taboão (alguém sabe onde é? Nem eu! Mas fui parar lá)
Duas vezes...

- Depois de pegar o Fernando na clínica, voltando para casa (em Sampa), ele viu um Hortifruti, e falou:
- Mãe, olha um Hortifruti! (tem um perto da nossa casa no Rio)
Minutos depois:
- Mãe, olha! Outro Hortifruti. (estamos na segunda volta rápida para tomada de tempo- só podia ser isso!)
Mais um tempo depois:
- Mãe como tem Hortifruti aqui...
Com a melhor cara que Deus me deu:
- Fernando, é o mesmo! Passamos três vezes por aqui!
- Vc está perdida?
- Para variar, sim!
- Mãe, de novo!? Como pode?
- Cala a boca, e me deixa pensar!

São Paulo está em obras. Deveria tem um grande placa: Fechados para balanço. Uma criatura que não se acha em rotas principais, quando obrigada a fazer rotas alternativas se torna perigosamente ferrada. Se eu não soubesse quem é a prefeita, juraria de pés juntos que se trata de um tatu gigante. È só buraco, canteiros, a avenida Santo Amaro parece uma rua do Iraque...

Fora isso, a agonia da Gabriela para voltar para casa era imensa. Mesmo tomando um chá de shopping, sua programação predileta, ela queria voltar. As roupas, em estilo muito diferente do carioca, não agradavam... Fizemos ponto na Siciliano ou Saraiva, não lembro mais... No sábado, quando cruzamos a divisa dos estados e colocamos as rodas da frente no Estado do Rio, a criatura pulava no carro!!! Estava ansiosa para ver alguém da idade dela.

Uma semana sem adolescentes, equivale a um século para ela... Ainda mais com as coisas "pegando fogo" por aqui... Foi um vai e vem de torpedos, que se a metade dels tivesse explodido ao chegar no celular, hoje, São Paulo seria uma cratera...

Aliás, acho que ela mataria qualquer pessoa que tentasse tirar dela o celular. Podiam levar tudo, menos o dito cujo, segundo ela a única forma dela estar conectada ao mundo. O mundo se resume a outros 4 ou 5 adolescentes de magnitude estelar...

Mas ela esperava ansiosa as novidades da "terra brasilis" obtidas usando todos os recursos do celular... E a cada uma delas, maior a estima pelo aparelhinho...

Depois de 500km na direção e uma gripe que parece ter me adotado, pois já estamos juntas há 10 dias, sem que ela sequer ameace me abandonar, foi o tempo de desfazer as malas e cair dormindo - exausta. Pois, foram 500km com duas criaturas excitadíssimas no carro. Gritaram, cantaram... Eu só aumentei bem o som e vim ouvindo Evanescence e Alanis... Até que na serra, a módicos 70km de distância do Rio, ambos dormiram...Em breve estaremos de volta em Sampa, enquanto isso, estou pensando seriamente em juntar uma pedrinhas e marcar os meus caminhos... O duro, é que elas precisaram ser fosforescentes e enormes... E eu vou ter que acertar o caminho de ida e volta pelo menos uma vez para marcar, coisa que não aconteceu nenhuma vez esta semana...

Desculpas aos meus amigos paulistanos, mas me perdi demais, meus nervos foram para o espaço... Fora o terrorismo quanto aos assaltos... Ave!!!! Na próxima a gente se organiza e faz um encontro em algum lugar, tipo no bar do hotel!!!!

Amanhã eu conto como foi a clínica... Minha passagem por Americana, o encontro com Túlio
...




12:24 AM