Sexta-feira, Maio 12, 2006
Leiam primeiro o post de baixo chamado Eu fiquei Grávida.... esta é a saga do nascimento de Gabriela que em setembro completará 15 anos. Não culpem o blogger pelo tamanho do post, ele tentou me impedir... mas ainda assim insisti. Isso foi postado por 4 dias seguidos, eu mandei numa só para vcs. Divirtam-se. Leiam o post de baixo primeiro. Não esqueçam!
entrou acelerando e pegou a rua do São Luís. Acho que os frentistas daquele posto são treinados para isso, pareciam acrobatas, voando de um lado para o outro para sair da frente. Algo me diz, lá no fundo, que Carlos não foi o primeiro.
Cheguei ao hospital e pela primeira vez em minha vida, meu médico me esperava... aí comecei a ficar cabreira, muito desconfiada mesmo, que não ia rolar remendo, o neném ia nascer.
Examina aqui, olha ali, pergunta dacolá. Veredicto: O neném , nasce amanhã a tarde. Cesárea. Para quem não lembra, Gabriela estava sentandinha com o pé no puff (minha bexiga). Tomo injeção para amadurecer o pulmão do neném. Ligo para todos para avisar. A minha mãe, meu pai , meu irmão e minha cunhada se preparam para viajar. Primeiro neto da família. Minha sogra e meu sogro chegam ao hospital , minha sogra chorando e meu sogro perguntando pela malinha que deveria estar pronta aos três meses de gravidez, na opinião dele!
Vai Nascer Pelada
E caiu a ficha, as roupas desta criatura estão todas molhadas, os macacõeszinho de maternidade sequer viram água, nem as mantas, as fraldas triangulares, não foram passadas. A Ingrid me acalma. Diz que tudo estará resolvido quando o bebê nascer. Então achei uma outra coisa para me ocupar.
CONTRAÇÕES.
Algo indicava que a Gabriela não estava muito disposta a esperar por suas roupas.
Quem nunca teve não sabe o que está perdendo. Parece que alguém está rosqueando uma garra de aço nos seus rins, e depois de rosqueada esta garra de aço, se fecha comprimindo seu ovário. É uma delícia. Eu suava, gemia baixinho. E a Ingrid do meu lado, segurando a mão dela, sempre repetindo mulher elegante não grita... Eu virei para ela, e disse: se eu quebrar seus dedos não quero nem um pio, certo. Não houve gritos, nem escândalos, sofri silenciosamente. Mas Gabriela, prevendo um futuro de popstar, treinando para enganar os paparazzi, resolveu nascer. A uma hora e cinqüenta minutos, da manhã, madame veio ao mundo. Já pronta para mostrar que viera para mandar e não para obedecer.
!
Primeiras palavras do pai: Olha, ela tem um buraquinho no queixo! - marca registrada da família dele.
O Bento me mostrou, contei os dedos - e ele vira-se para mim e diz: Você não quer beijar sua filha? Eu pensei cá comigo, será que não é a placenta e ele está querendo me enganar? Um trequinho melequento e vermelho. Cadê o bebê rosadinho, perfumado que nasce nos filmes?
Com medo de ser rotulada como mãe desnaturada... estirei o beiço meio de lado, bem de levinho e beijei aquele trequinho melecado.
De cara o pessoal do berçário pediu as roupas do Bebê, para a Ingrid, que devia ter cara de responsável pelo barato. Como Gabriela era prematura, com 3460k e se a chegasse a termo eu explodia... ( sempre disse que sou um pincher que resolveu cruzar com um dobberman - eu tenho 1,66 e ele 1,90 ) e a Ingrid que não contava com a pressa da mocinha, saiu voada do hospital, com um - já volto, estampado nos lábios!
De manhã, bem cedo ligamos para o papai, avisando do nascimento da neta. Ele interfonou para o prédio inteiro avisando que era avô! Não sei se o pessoal estava muito interessado em saber disso antes da 8 horas da manhã.
As seis horas, já ameaçada de ser expulsa como indigente do berçário, chegaram as roupas de madame. Ingrid, passara a noite lavando, secando na secadora e passando roupinhas e afins. Vestida e pronta para o mundo, Gabriela foi mamar, e levou quase dois anos para parar.
Hora de ir para casa. Sou levada ao berçário, onde tiram a fralda da minha filha, e pela primeira vez a vejo pelada e mais interessante do que ela pelada era a fralda: que até então nuuunca tinha visto. Tinha comprado os pacotes, mas nunca tinha aberto. Fiquei olhando abismada para tudo, enquanto ela me ensinava a limpar a menina, a fazer a pastinha para passar no traseiro dela para não ter assaduras (Hipoglos e óleo de amêndoas). Mas o que me impressionava era a fralda. Meu Deus, era aquilo que tinha dentro daqueles insuspeitáveis pacotes retangulares? Será que as lá de casa eram iguais? Pelo menos aquelas eu não tinha como estragar... já era um avanço.
Saímos do Hospital
A estas alturas, Gabriela já tinha uma babá, que tinha sido minha babá. A Santa ZI. Deste dia em diante, tivemos comida decente em casa, casa limpinha, e neném cheiroso. Ela a mamãe se ocuparam de Gabriela nos primeiros dias.
Não deixavam nem eu chegar perto direito, só para amamentar e olhe lá...Eu querendo fazer um test drive no neném e nada. Banho então, a turma me olhava de lado se eu tentasse entrar no banheiro.
A Primeira Consulta ao Pediatra
Fomos todos, exceto mamãe. Eu, Carlos, Zi e a Gabriela, obviamente. O médico a desembrulhou, estava um frio medonho em São Paulo, eu só olhando. Botou ela peladinha, ela segurou os dedos dele, e ele a pôs de pé, e a fez dar seus primeiros passinhos - a cabeça caída para trás, menos de dez dias -não, ela não era um gênio, todo recém nascido faz isso. Mas foi me dando uma agonia... A arranquei dos dedos do pediatra, já aos prantos, não ela, eu. Enrolei minha filha na manta e disse ao pediatra que chegava... ele ria! Falei: se tiver mais filhos, vc vai lá no parto e faz isso tudo, mas bem longe dos meus olhos. E ele me respondeu, que não podia, pois tinha horror de sangue... Isso só acontece comigo.
Fui tomar banho, neste meio tempo um incidente de proporções continentais tomou conta da casa: A Gabriela engasgou. Foi uma tremenda confusão. Sacode, chupa a boca... ela ficou roxa, estava com a boca azul. Saí do banheiro o problema já estava resolvido. Fiquei só com as reportagens. Que segundo o Carlos eram exageradas. Mesmo assim fiquei traumatizada!
Já ciente da minha vasta experiência teórica no mundo dos bebes, eu lia todos os livros, Mamãe e o Bebe, o Bebê e vc... E todos os cacarecos deste tipo. Correndo atrás da teoria. Lendo muito sobre icterícia, coisa que Gabriela teve. Sabia tudo de bilirrubina... Tomava conta da cor do coco. Dias depois de ir ao pediatra, ele fez coco meio verde. Segundo todos os livros, coco verde era sinal de sérios problemas, Carlos foi a pizzaria ligar para o pediatra, e o cara da pizzaria só ouvindo o Carlos falar do coco verde da filha dele. Decidi que era hora de termos um telefone, imediatamente. Carlos pagou uma nota, e comprou. Pronto, podia passar horas falando sobre coco verde sem olhares curiosos do dono da pizzaria.
Mamãe voltou para o Rio, por que logo em seguida eu iria para lá.
Com quinze dias de nascida o rosto da Bibi se tingiu de bolinhas vermelhas, lá fui eu para o pediatra. Ele tirou a roupa da garota, olhou para a minha cara e disse: nenéns sentem mais frio que nós, mas não muito mais frio. Isso que ela tem no rosto são brotoejas, vc está assando ela. Lá fui eu embora, a mulher que estava fritando o bebê.
Era de noite. Quarto a meia luz. Gabriela estava dormido, depois de mamar, quando resolvi trocá-la. Coloquei-a na cama e quando soltei o adesivo que prendia a fralda ela estremeceu. Achei que ela estava engasgada. Comecei a gritar para o Carlos, que estava ao meu lado, que ela estava engasgada: Levantei ela e sacudi. Ela já sem fralda, começou a chorar, o Carlos a pegou. Nisso reparamos que ela estava fazendo coco. Começou na cama, um rastro pelo tapete e seguiu pelo peito do Carlos, escorrendo pernas abaixo. Ela não estava engasgada, estava só dormindo, e se assustou quando soltei a fralda, e acordou com a mãe berrando e sacudindo ela. Deve ter pensando, ai Deus, uma mãe desta, ninguém merece?!
Descobri um excelente remédio para cólica, peito. Chorou tome peito. Assim ela, que nunca foi de rejeitar comida viveu em paz, os momentos de cólica. Eu aprendi a dormir com o peito de fora. Ela dormia mamando e eu dormia com o peito congelado do lado de fora. Já estava vesga, dormia e acordava cem vezes por noite. Tava só o bagaço. Levei tempos para me acostumar. Mas acostumei. Meu peito se tornou figurinha fácil em Sampa. Nunca pensei, que chegaria a este ponto de assexualidade. Chorou, peito de fora.
Blusa com novas estampas: estampa leite derramado ( e escorrido)!!!! Peito vazando, peito rachado, peito doendo... Perfume: leite materno e golfada!!!!
9:02 AM
Eu Fiquei Grávida
23/06/2003
No dia que descobri que estava grávida, pulei, pelada da mesa de exames e abracei o Carlos, nem aí para médico ou enfermeira, feliz da minha vida. Mal sabia o Carlos que ia começar o martírio dele.
Dias antes da confirmação, antes até mesmo do atraso da menstruação, comecei a enjoar. Não podia com cheiro de cigarro e de certas comidas.
Primeiros Três Meses
Eu enjoei, enjoei, vomitei.... Vomitei e vomitei...
- Meu café da manhã era um picolé e tinha que ser de tangerina, não adiantava outro. Senão era vômito na certa. O Carlos ficou conhecido em todas as padarias da região... Por 3 meses e meio ele as visitou em busca do tal picolé... Quando achava comprava a caixinha fechada.
- Perfume, nem pensar! Tinha uma moça que trabalhava no mesmo lugar que eu... ela só podia falar comigo da porta, pq se entrassem eu vomitava nela. Juro!!! Um perfume doce, excessivo, horroroso... levei anos para poder voltar a usar perfume.
- Adquiri o hábito de almoçar, vomitar, comer de novo e vomitar... até que a comida resolvesse parar na minha barriga.
- Chupava limão direto.
Casos reais:
Minha chefe, engravidou na mesma época. Mas ela não enjoava. Um dia sentei na sala dela, estávamos conversando de repente sai correndo e fui vomitar... voltei, virei para ela e perguntei: vc não enjoa, não?
No dia seguinte, ela me chamou e me contou que havia vomitado pela primeira vez aquela manhã... me senti menos sozinha no mundo do vômito.
Carlos foi proibido de usar desodorante com perfume, loção após barba, perfume, shampoo muito cheiroso e definitivamente proibido de esquentar torta de palmito. Quando ele queria comer, eu ia para janela e esquentava no microondas com a porta da cozinha fechada e ia comer no quartinho de serviço, junto com o cachorro. Essa torta de palmito, foi por meses a coisa que eu mais gostava das comidas congeladas que comprávamos, quando engravidei, podia ver tudo, menos ela.
Eu chorava, por tudo, por todos e por qualquer coisa:
Meu primeiro dia das mães, grávida Queria desesperadamente dar os parabéns para a minha mãe, que como todos sabem morava no Rio e eu na época em Sampa. Não conseguia falar... fomos até a casa do tio dele, onde seria comemorado o dia das mães, coisa de uns 20Km , parando a cada orelhão para tentar falar com minha mãe. Cheguei na casa do tio dele aos prantos. Todo mundo se mobilizou para falar com a mamãe. Resultado: o almoço só saiu três horas da tarde, depois de ter conseguido completar a ligação e falar com minha mãe. E chorado de soluçar, por horas a fio. Depois, claro, vomitei o almoço. Desta vez não quis comer de novo.
Eu levantava, vomitava e depois tomava café da manhã. Levava o cachorro para passear e se o caminhão de lixo estivesse na rua, o cachorro fazia xixi de um lado e eu vomitava do outro. Como a barriga ainda não aparecia, o povo da rua devia pensar que eu era uma bêbada ou estava a beira da morte.
Eu tinha um sono impressionante, dormia sete horas da noite e acordava as 6 no dia seguinte.
Vomitei por todas as ruas de Sampa. Uma vez, o Carlos estava na 23 de maio, uma via expressa em São Paulo, movimentadíssima, nisto olho para ele, e ele murmura, não pelo amor de Deus agora não! Eu respondi sim, agora sim... e lá teve ele que sair botando os braços para fora, dando seta e enconstou lá na direita e ei vomiiiiitei.
A Beatriz, que havia voltado, vide alguns post anteriores, deixou o banheiro lá de casa limpinho... inventei de comer sardela (uma pasta italiana muito forte feita de Alicce -sei não se é assim que se escreve- pimentão, azeite, pimenta calabresa e alho). O treco parou 30 segundos dentro de minha barriga, não deu tempo nem de entrar direito no banheiro... nem vou descrever para vcs... mas lavei o banheiro, madrugada a dentro e o azeite, transformou o banheiro em pista de patinação...
Uma vez, o Carlos se atrasou para ir ao médico comigo, eu muito injuriada e carente comecei a reclamar, e ele começou a acelerar o carro... isso foi me deixando nervosa, comecei a chorar e distribuir guarda-chuvadas nele. Ele parou o carro e começou a rir... ele não sabia mais com quem tinha casado, eu só vomitava, chorava e dormia.
O Segundo Trimestre
Um dia eu acordei me sentindo bem. Sem saber direito o que estava acontecendo... levei um tempo para perceber que não sentia o gosto de cabo de guarda chuva na boca. Nossa livre do mal estar... resolvi comer.
Mas nada de café pertos de mim, continuava implicante com cheiros. Achando pouco arrumei um chulé insuportável. Uma coisa horrorosa e não tinha o que tirasse. Tive que jogar fora os meus sapatos e comprar outros, até porque os meus pés incharam e nada cabia mais. Mas era tirar o sapato e subia um cheiro pavoroso... já começava a olhar com cara de mau para os meus pés... como surgiu - graças à Deus desapareceu depois.
Uma noite pegamos um engarrafamento, causado por uma destas chuvas monstro de Sampa, fui fazendo xixi em tudo quanto foi boteco e padaria de Sampa... neste dia comecei a desconfiar que o neném nasceria em dia de chuva e seria um inferno para atravessar a marginal.
Implicava com tudo, não ia a um restaurante por causa do "cheiro dele", aí mais do que de repente, resolvia ir lá. Voltava e vomitava o almoço. Uma vez, chegando ao trabalho, depois de ter almoçado, corri para o banheiro, prontinha para botar o almoço para fora. Mal eu entrei, uma porta do reservado do banheiro se abriu, uma menina saiu e eu entrei meio no desespero. Depois do fato consumado, ela virou-se para mim e disse: - nossa se eu não tivesse saído, você teria vomitado em mim,né?
Eu respondi: - Não tenha dúvida disso. A partir daí, sempre havia um reservado livre do banheiro do meu andar, ninguém queria correr o risco.
A roupa parou de dar. Agora era inevitável. Estava me transformando num barril. E precisava comprar roupa. Foi uma odisséia, as roupas pareciam ter feitas para alguém que estava gerando um bebê no cérebro e não na barriga. Ursinhos bordados, palavrinhas como love, bordada. A roupa já lembrava aquelas capas de bujão de gás e de liquidificador, que vc vê pendurada na feira... com aqueles trecos escritos. Pensei que ia ter que me vestir com lençóis até o fim da gravidez. Mas aderi, a legging e ao camisão, foi o que salvou minha vida... vestidinho e macãzinho de ursinho, vaquinha era de exterminar a auto-estima de qualquer uma.
O problema da volta do vômito no segundo semestre, se deu pelo fato da Gabriela estar sentada. Comprimia meu estômago e a digestão ficava muito difícil. Se eu comesse um pouquinho a mais... vomitava! A Gabriela desde muito nova, nunca foi chegada a acrobacias... acho que ela pensava: Eu vou ficar de cabeça para baixo? Nunquinha. E de mais a mais, vou nascer com a cara amassada, o que irão pensar os fotógrafos os médicos.... Não de jeito nenhum! E nessa posição achei um lugar bem legal para por o pé (minha bexiga).
Tomei um tombo, em frente a um ponto de táxi... todos os taxistas ficaram em estado de suspense. Barriguda e caindo de quatro na rua... Quando entrei no carro, a Ingrid, prima do meu marido foi logo anunciando: Ela caiu. A cara de pavor deles, do meu Carlos e do Carlos dela, foi ótima, os dois, ao mesmo tempo: vamos para o Hospital. Tive que fazer que acalmá-los e dizer que estava bem, só tinha um joelho ralado.Três dias, depois o útero foi para posição de parto. Tive que entrar em repouso.
No meio disso, nos mudamos para Campo Belo.
Cenas do próximo post... pois este está enorme vou deixar o nascimento para amanhã, que aliás foi hilário.
Sete meses de gravidez - Hora de Nascer
24/06/2003
Pois, é. Diferente do primeiro trimestre, que eu vomitava pela manhã, uma gosma verde horrorosa, (maldade com que lê isso na hora do almoço, foi mal!!!), que me fez pensar, se eu não tinha sido abduzida, e estava gerando um bebê ET, ou ainda, o Bebê de Rosemary... Nesta última fase da gravidez, eu vomitava muiiiiito tempo depois de almoçar, muito depois da hora do jantar, sem jantar, e depois de uma azia, que parecia que tinham acendido um braseiro dentro de mim. Depois de vomitar o almoço, azedo... Comia um pouquinho na ceia... Pois a hora do jantar já tinha ido, há tempos.
Só conhecia criança pequena de retrato, assim mesmo, do meu álbum de neném. Entrei no estranho mundo dos pagões, mijões e afins. Tinha que comprar o enxoval da criança. Combinei com a Ingrid, sábia mãe de dois filhos, que iríamos comprar as coisas do Bebê.
Pausa - neste meio tempo, sem muito o que fazer, tinha pedido para o Carlos comprar frango no mercado, resolvi fazê-lo. Ele comprou um frango inteiro, eu quando comprava, comprava só sobrecoxa. Fui abrir o saquinho, meio desconfiada, quando abro... a galinha me olhando: um beeeeeeeeerrrro!!!! Galinha para um lado, eu para o outro. Lá vem o Carlos, desesperado: o que foi? Aos prantos respondi - tem uma cabeça lá dentro, olhando para mim...Ele pacientemente tirou a cabeça da galinha, e eu escondida atrás do freezer. Nisso ele vê que mandaram os pés tb. Resultado: joguei o frango fora, sei eu, mais o que tinha lá dentro. E não estava querendo descobrir. Nunca tive curiosidade de estudar a anatomia de uma galinha, e depois da encarada que ela me deu, eu hein?! Estou fora.
Primeiro Sábado - Prontinha para sair, Beatriz fazendo faxina, sorri para mim e diz, aonde você vai? Vou comprar a roupa no neném,respondo. Ela se vira para mim e diz: - hoje é feriado, (7 de setembro), está tudo fechado - naquela época, onze anos atrás, as coisas não funcionavam no feriado. Fiquei meio desiludida, estava grávida, mas ainda adorava fazer compras...
Segundo Sábado - tudo certo, vamos comprar as roupas do neném. Na época, conseguir um telefone era uma coisa do outro mundo, então tínhamos mudado há pouco, não dispúnhamos ainda de tal luxo. Nisso, sexta-feira, onze horas da noite toca a campainha, fomos atender de pijama...era o Carlos (da Ingrid) e a própria, morrera um parente dela em outra cidade e eles estavam indo para lá. Mais uma vez, não poderíamos ir. Olhei para o Carlos, depois que eles saíram: amanhã, nós vamos! Sentei na sala de tv, e fui tratar de entrar num mundo desconhecido... Peguei as Pais &Filhos, que tinha em casa, procurei as listas de roupas para bebês, a calculadora (minha companheira de todas as horas), e toca a somar pagão e mijão, dividir pelos dias das semanas, considerar variáveis que eu desconhecia... E o Carlos olhando com cara de isso não vai dar certo... Timidamente, ele pergunta: Não é melhor esperar a próxima semana? Eu já subi numa parede, como uma lagartixa, lagartixa prenha, mas lagartixa: Imagina, meu filho vai nascer pelado... O Carlos ficou me olhando, como quem diz: todas as crianças nascem peladas. Mas antes que ele abrisse a boca: Eu sei que todas nascem peladas, mas a nosso vai ficar pelado...
No início da gravidez, eu tinha comprado uns macacõeszinhos, e mostrei toda orgulhosa, para todos. O pessoal me olhou com cara de dó, explicando que meu filho ou filha só usaria aqueles macacões quando tivesse um ano. Depois disso, o Carlos começou a duvidar seriamente das minhas habilidades maternas... E cá entre nós, eu também.
Fomos. Entrei na primeira loja... meio desconfiada. Pensando se não fazer papel ridículo perguntando por mijão, pagão, cueiro e outras coisas assim. O Carlos que não era bobo nem nada, ficou do lado de fora... A moça, na maior paciência, me mostrou tudo - eu levei quase meia loja. Comprei tanto sapato, que se ela quisesse poderia fazer o Caminho de Santiago, sem repetir o calçado.
Para que não sabe: mijão e pagão são um conjuntinho de malha: calça, camisetinha e casaco, que vc põe no neném, uma espécie de twin set para bebês. Cueiro, embora o nome sugira outra coisa, trata-se de uma mantinha de flanela.
Fui para casa, inchada, morta, mas feliz. O médico tinha me posto de repouso... na segunda-feira, fui lavar as roupas. Máquina bem limpinha, especialmente preparada para as roupas do bebê. Peguei os saquinhos com as fraldas de pano, abri e arremessei na máquina, as famosas fraldas de boca. Tempo pavoroso em Sampa, e só um secador de roupa... Bastava para eu e Carlos. Mas com o advento da Gabriela era premente um novo secador. Mas isso ia esperar, pelo menos a criatura nascer.
Batida as fraldinhas, fui tirá-las da máquina: Puxei uma e vieram todas. Agarradas num emaranhado de fios. Tinha que fazer BAINHA, nas melecas das fraldas. Na embalagem, não vinha nenhum aviso tipo:
Cuidado Fraldas sem bainha, VOCÊ DEVE FAZÊ-LAS. Tudo bem , que eu não faria mesmo, pq não imaginava o que acontecia quando vc enfiava 50 fraldas sem bainha na máquina. E, para completar, não tinha o peso das fraldinhas na tampa máquina, foi no risco mesmo (vide primeiros posts no início da vida de casada). Quase chorei, aliás chorei. As fraldas, com joaninha, carrinho, ursinho bordado que eram quadrados haviam se transformado em triângulos, em novelos, ninhos... Para falar a verdade, só descobri que isso aconteceu porque as fraldas estavam sem bainha, quando a babá da Gabriela chegou e me explicou. No primeiro momento foi um mistério absoluto. Não entendia pq aquilo havia acontecido. E chorava mais ainda.
Estendi as fraldas, usando pregador e tesoura, para separar uma das outras e cortar os ninhos e lutando com a minha barriga que insistia em bater na máquina de lavar... pois o apartamento era gigantesco mas a área de serviço era minúscula, e o secador ficava em cima da máquina de lavar. Depois, fui deitar...
No segundo dia, terça-feira, as fraldas triangulares, tremulavam ao vento gelado paulista, molhadinhas, como se tivessem saído da máquina.
Quarta-feira, as fraldas secaram, tirei do varal, separei para a Bia, passar... Deixei os macacões de lã, para ela lavar na mão. E coloquei os pagões, mijões, cueiros e outros óvnis, na máquina. Meio desconfiada de quê ao tirá-los algo estranho aconteceria... Mas não aconteceu.
Quinta-feira, com a turma secando no varal, resolvi pegar um tênis do Carlos que estava muito sujo para lavar. Pois é, tênis básico de couro, número 45 - ele tem 1,90, por isto este pezinho de moça. Nunca tinha lavado um tênis, mas uma mente ociosa se torna criminosa. Sem saber direito o que fazer, enchi um balde, coloquei o tênis lá dentro, com sabão em pó! Botei no chão o baldinho peeeeeesado, e fui deitar, afinal tinha que repousar... (cá entre nós, nunca soube o que aconteceu com este tênis)
Dormi. Acordei, com uma água quentinha molhando minhas pernas. Acordei, e saí desesperada para o banheiro, me achando a últimas das criaturas: -Estou redonda que nem uma bola, toda inchada, e agora fazendo xixi nas calças? Ninguém merece... e fui tirando o macacão, correndo a caminho do banheiro. Chego, sento no vaso sanitário... e aguinha descendo. Pensei: Que horror! Estou fazendo xixi, e nem sinto mais, fim de carreira. De repente, uma vontade de fazer xixi... Pânico total, então isso não é xixi, é a tal da bolsa que estourou...
Até chegar ao Hospital...
Parêntese - havíamos mudado há pouco, o interfone estava sendo trocado, morava no terceiro bloco do condomínio. Nunca tinha visto o vizinho e não tinha telefone. Levando em conta tudo isso, fui tomar banho, histérica... Eu fiquei pensando, não é a bolsa, não pode ser...Eu era míope na época (operei a vista depois), quando arrebenta a bolsa, sai sangue... Todo mundo fala... Olho para o chão e vejo um treco meio rosa, desfocado, indo em direção ao ralo:
fumou a McLaren!!! (quem acompanhou Ayrton Senna, sabe que quando o Galvão dizia isso, acabava o domingo... mais uma das poucas verdades absolutas do Universo).
Lavei o cabelo... Lembrava dos partos da tv e do cinema, daquelas mulheres de cabelos colados na cabeça... e resolvi lavar os meus. Ih! Tinha que raspar os países baixos. Já havia me organizado para fazer depilação na área total, mas ainda faltava quase dois meses... Mas naquela situação, não dava... Eu nunca mais a tinha visto, nem tinha muita certeza de que ela continuava a existir. Resolvi deixá-la entregue a própria sorte, o que me valeu uma coceira pavorosa depois. Quem passou pela experiência sabe!
Saí do banho e fui procurar, absorvente. Absorvente em casa de grávida é semelhante a açúcar em casa de diabético, pode existir, mas aonde? Catei, catei...Achei! Mas a estas alturas, já estava toda molhada, pela água da bolsa que cismava em escorrer.. Desci e fui até o consultório do Carlos, da Ingrid, que é dentista e ficava no quarteirão seguinte. Ao chegar lá, subi um lance de escadas. Enfim a salvo.
Depois de um longo tempo sem chover, começou a chover em sampa, não era um temporal, mas uma chuvinha meia-boca... ai, ai, ai!!! Cheguei toda molhada, de cabelo pingando (pq tinha lavado lembra?), moletom encharcado nas pernas. E desabei a chorar: - acho que o neném vai nascer. Correria no consultório: O Carlos (primo) resolveu buscar o carro para me levar para o Hospital enquanto mandava o irmão dele (Santo, também dentista) achar o Carlos.
Nisso acendeu a luz de emergência. Vou para o hospital sem Carlos? Não. Aí o Santo falou: vamos ligar para o médico.
- Bento? Gláucia. Acho que o neném vai nascer.
- Pq, vc acha isso?
- Pq, a bolsa estourou!
- E pq vc acha isso?
- Pq estou toda molhada.
- Nos encontramos em meia hora no São Luís - eram 17:30.
Liguei para o Carlos, atendem na empresa, pergunto por ele:
- Ele não está... É Gláucia?
- Eu mesma. Vc sabe onde ele está?
- Está num cliente.
E me deu o telefone.
Eu ligo para o cliente, pergunto pelo Carlos e a pessoa que atendeu, diz que acha que ele já saiu. Eu peço para que a pessoa cheque.
O Carlos atende ao telefone:
- Onde você está?
- Estou no Carlos, vc pode vir para cá?
- O que vc está fazendo aí?
Olhei para a cara do Santo e fiz cara de e agora o que eu falo? E ele falou: fala!
- É que minha bolsa estourou.
Só escutei um: -estou iiindo. E o estalo do telefone batendo no gancho.
Liguei para Ingrid, e pedi que ela comprasse para mim camisolas, chinelos e calcinhas ¿ as minhas estavam algo quê! Eram gigantes e já sem elásticos. Estas compras era a programação do sábado seguinte, e como ainda faltava dois dias para ele...Não tinha nada para vestir no hospital.
Ela, professora universitária, estava com uma aluna particular, largou a menina na casa dela e correu para o shopping, para comprar as coisas.
Liguei para minha mãe: (tinha ligado um dia antes, pois tinha sido aniversário dela)
- Oi mãe, estou indo para a maternidade.
- O que aconteceu? Vc caiu?
- Não mãe, o neném vai nascer...
- Ai meu Deus. Você está bem?
- Estou, mãe,calma, quando eu souber quando vai nascer, eu ligo!
Liguei para a minha sogra. Ela começou a chorar.
De repente uma sinfonia de buzinadas impacientes. Olho pela janela, um Santana verde, com as 4 portas abertas , até hoje não consigo imaginar o porquê de 4 portas abertas, e o Calos fazendo sinal para eu descer. Mando ele ir para casa, levar o cachorro para passear, pegar um moletom limpo e uma calcinha, e também uma toalha para eu sentar no carro. E lá vai ele. E em casa é acometido de uma dor de barriga.
A estas alturas já estava calma. Achando que o Bento teria uma solução mágica para o assunto, talvez emendar a bolsa, tipo borracheiro... Sei lá.
Fomos para o hospital. Carlos pegou o caminho errado, mais de 6 horas, um trânsito...
Na avenida Santo Amaro, avistamos o hospital. Era necessário fazer o retorno. Nesta avenida vc não pode entrar a esquerda, pois lá está o corredor de ônibus, dos dois sentidos. Teríamos que dar a volta no quarteirão, procurar uma rua que cruzasse e aí sim fazer o retorno. Aflito, o Carlos não conversou e fez uma conversão à esquerda cruzando na frente dos ônibus... Aí eu senti um negocinho, nem sei direito o quê... E comentei: ih, pela primeira vez estou sentindo uma coisa estranha! Aí sim, ele ficou nervoso. Da forma como ele converteu, não era possível acessar o hospital ficamos uma rua antes. Já histérico, desceu a rua, pensando que conseguiria acessar o São Luís, mas que nada, a rua era contra mão. Ele não conversou... espalhou os frentistas do posto de gasolina...
continua
8:42 AM
Quinta-feira, Maio 11, 2006
Mães Velhas
22/03/2005
Cara, fui levar meu filho para treinar futebol - das atividades que ele pratica esta é a que menos gosto. Acho que ele não tem futuro lá, não porque jogue mal, mas porque muita gente que joga bem. Ele, futuramente deve ficar bem alto, e acho que no futebol isso não é importante. Prefiro o volei e o tênis, que, não por ser meu filho, mas ele manda muito. Mãe Coruja!!!!!!!!!! RSRSRS
Mas nem era sobre isso que eu ia falar. Ia falar sobre o advento das mães velhas. Sabe aquelas mulheres que são mães quando já deveriam estar começando a pensar nos netos? CARACA, tem umas que se a gente contar acham que estamos inventando. Uma dessas figuras estava lá no futebol.
Pois é,eu tive a infelicidade de a conhecer antes. Ela levou o filho para o aniversário do meu filho. e ficou plantada feito um coqueiro, lá no meio do boliche. "Ah, vc sabe, ele é muito apegado a mim. Se eu não ficar ele não fica." Tudo bem, estranho um moleque de 9 anos, que não fique numa pista de boliche sem a mãe, mas tudo bem.
Então vc imagina, cerca de trinta anjinhos, numa pista de boliche se acabando e a mulher enchendo meu saco:" Olhe aquele ali, vc conhece? Ele está empurrando os meninos." E eu tendo que ver sapato para a galera, o que eles queriam beber, comer e ainda ficar ligada na velha e nos terroristas de plantão.
A molecada estava a 100 por hora eu não tinha tempo nem para tirar a calcinha da bunda. Um moleque corria para lá e sumia, eu ia atrás: "- Volta, condenado!" Este é filho de fulana , que vai voltar com beltrana, que vai levar, ciclana - cara, era de enlouquecer. E a perua enchendo meu saco!
Lá pelas tantas, ela arrancou o filho dela e mais um moleque da pista e saiu voada. Jogou os hamburgueres (pluralzinho estranho!!!!) e se mandou. Fiquei quase doida, pois sabia que o moleque dela ela tinha carregado, e o outro moleque, que ela carregou, de quem era? Quase enloqueci, pensando no que diria a mãe quando ela viesse buscar o garoto. E ainda tinha que apartar os meninos que fizeram um grupinho para bater nas meninas, e segurar o Osaminha que empurrava os outros e tantava acertá-los com a bola de boliche.
A mãe velha estava incomodada com o Osaminha, eu também, o moleque havia vindo como irmão de uma das convidadas, e pensei que ele voltaria para casa em 100 copinhos de coca-cola. Esta era a minha vontade! A noite que já estava sendo mais do infernal, se tornou um calvário por causa de uma mãe velha. Até descobrir que ela havia levado o moleque que tb tinha chegado com ela, mas alguns passos atrás - suei sangue. Mobilizei o boliche todo para achar o telefone da praga. Até batida nos banheiros do shopping fizemos. Eu e mais duas amigas.
Hoje, lá estava ela no futebol, fantasiada de esportista. Tive vontande de ligar meu carro e passar por cima dela. Mas acho que ela voltaria para me assombrar. Quem sabe se o terrorista não irá a festa de aniversário do filho dela? A vingança será perfeita. Eu vou rir muito. Pena que não vou estar lá para ver. Não tenho vocação para coqueiro.
Sei lá se todas as mães velhas são assim. Se forem, CARACA!!!!!!
17/06/2003
Reunião na Escola
Hoje (ontem para vcs), fui à reunião da escola do Fernando. A minha vocação para perua tende ao negativo. Então fui de calça jeans, tênis, uma blusinha mais arrumadinha, mas era mais arrumadinha para o MEU estilo. Pensei em ir de scooter, para não ter problemas para estacionar. Mas depois desisti, ia ficar pensando nela lá no meio da rua, amarrada em sei lá o quê, sem seguro... Achei melhor ir de camburão (tenho uma blazer). Saí cedo, para achar lugar para parar o dito carro.
Aquela rua tem duas casas de festa, é uma rua estreita, e do jeito que sou sortuda ainda ia achar as mulheres apaixonadas gravando lá. A que apanha, "mora" no prédio ao lado da escola e de vez em quando, ela grava lá. Neste dia, tenho vontade de dar, eu, umas porradas nela, a rua fica intransitável! E você sai pulando fio, passando atrás de rebatedor e arrastando o seu filho que quer ver a gravação do capítulo, mas tem 600 compromissos, depois da escola.
Bom, mas era meu dia de sorte e ela não estava lá. Consegui uma vaga na porta da escola, tudo bem que cheguei 45 minutos antes da reunião. Fiquei, lá meu carro, lendo o Último Judeu ( A Inquisição na Espanha e a perseguição aos judeus - estou amando) é o meu livro de ler no carro, enquanto espero as crianças. Um dia publico os meus horários, para vcs darem risadas.
Ai, me perdi! Do que estava falando mesmo? Ah, da reunião. Já sabia do conteúdo da reunião (vantagem de ser amiga da professora...) e fica difícil de reclamar de alguma coisa nova, sobre o Fernando. O meu único receio era as mães. Mãe de menina, eventualmente atropelada pela delicadeza de meu filho. Ele não é criança de bater, mas é de encher o saco da criatura, até que ela no máximo da sua insanidade, se mate! Por conseguinte as mães costumam vir babando!
Entrei, sem maquiagem, sem pulseiras, com brinquinhos pequenininhos.Quando olho em volta: paetês, sandálias de pedrinhas, brincos, pulseiras, caras que mais pareciam ter sido corrigidas com massa corrida, do que com maquiagem. Pensei cá com meus botões: caraca, de onde vem esse bando de ET? Nem tive chance de um segundo pensamento, vejo um troço brilhante, reluzente, amarelo, pensei, putz, esta nem teve tempo de tirar o capacete, veio da nave direto... quem era? A Mãe Velha! Alguém merece? Para quem não conhece a mãe velha, tem um texto de 22 de maio, onde apresento a figura.
Ela trazia na cabeça um capacete. Se a nasa descobre o material que ela usa, os programas espaciais seriam mais felizes... Se a nave explodir uma coisa é garantida: o cabelo nem se mexe!
Tinha uma turma mais normalzinha... Gente comum, de jeans, tênis... São 25 alunos na sala. As crianças esperavam por nós lá embaixo para demonstrar os projetos de trimestre. A pedido da coordenadora, deveríamos visitar primeiro nossos filhos, pois estavam ansiosos,
como se alguém ali, pretendesse fazer diferente. Não tive saco de esperar a parada gay descer a rampa, então peguei um atalho pela escada. Adivinhem quem era o par do meu filho? Acertou, quem disse, o filho da mãe velha!
Ainda com ganas de assassiná-la com requintes de crueldade, tive que polidamente dividir o estande com ela e ainda jogar o joguinho proposto pelas crianças. Terminado o jogo, dei um beijo no Fernando e me escafedi sorrateiramente. Fui visitar os estandes de outras crianças, quando olho para trás, com um palmo de cabelo brilhante acima da cabeça e me seguindo: a mãe velha!!! Como cheguei no estande no meio da explicação, saí de fininho.
Chego noutro estande, me achando livre do fantasma de Darth Vader, olho para trás e lá vem ela. Pensei cá com minhas pulgas, deve ser algum tipo de penitência. Fujo para um estande onde só há uma cadeira vaga. Sento, olhando de esguelha para ver se não estava sendo seguida. Escolho um cartão, na mesa do joguinho, entrego a garota... e acompanhando o sorriso, vem a notícia, vc tem que fazer um acróstico. Lembra lá, o que é acróstico! Eu já tinha passado por uma sabatina de multiplicação no jogo do Fernando, e nessas horas, ai da mãe que erra, agora acróstico? E ainda por cima, tinha que tomar conta da aproximação do cabeção. Escrevi o acróstico correndo... e o perfuminho enjoativo anunciou a presença de Darth Vader . Lá to eu correndo de novo!
Cansada de brincar de gato e rato, principalmente por que eu era o rato, voltei para junto do Fernando, que muito sério dava explicações... ao me ver e pressentindo o fim do evento, rapidinho catou a mochila e me deu o alvará de soltura: Vambora, mãe!!!! Não precisou chamar duas vezes. Zuni.
Agora, já se achando minha amiga íntima, resta esperar o futebol. Ela já tem mania de parar ao lado do meu carro, de forma que fique até difícil de abrir a porta, não importa quanto espaço haja, e há muito, pode acreditar, pois trata-se da extensão de um capo de futebol e uns cinco, míseros, carros. Se já fazia isso, quando eu nem olhava para a cara dela, imagina depois de hoje?
Vou tentar descobrir quem á a mãe do Osaminha e levá-lo ao futebol, acho que assim, com sorte, ela nunca mais volta lá! Vocês já sabem, se eu não postar amanhã, é porque a matei e fui presa em flagrante! Mandem umas frutinhas para mim, certo?
11:37 AM
Quarta-feira, Maio 10, 2006
Em homenagem ao dia das mâes resolvi postar alguns dos meus textos mais antigos, divertidos... então divirtam-se. Eu ri muito relendo .
Amanhã publico mais!
Divórcio Genético
23/05/2003
Algumas vezes vc olha para o seu filho, e vê uma série de características (
defeitos têm o filho dos outros) que vc nem sabe de onde saiu.
De onde veio a mania de comprar do Fernando?
- Essa é fácil ele é uma mistura genética, perfeita, de dois compradores compulsivos.
De onde veio toda essa desorganização das crianças?
Esses genes são meus. Pode procurar, que estão assinados.
De onde veio a dependência do Fernando?
Esses genes têm o nome do pai. Oh, homem para querer atenção!
De onde veio a capacidade de emburrar da Gabriela?
Do pai. Ele fecha a cara por coisas bestas e leva uma eternidade para desemburrar. Eu sou desencanada.
De onde veio a chatice do Fernando?
Do avô paterno. Esse troféu ele leva sem discussão.
De onde veio a capacidade de ser prestativa da Gabriela?
Mistério genético, todo mundo aqui em casa é semi-imprestável.
De onde veio a paixão do Fernando por Mac Donald´s?
Só pode ser paterna, eu odeio Mac Donald´s.
De onde veio a capacidade Garfield que Gabriela tem de permanecer imóvel por horas, largada no sofá?
Indubitavelmente, paterno esses genes.
De onde veio a incapacidade do Fernando de permanecer quieto?
Genes meus. Não consigo ficar sentada mais que cinco minutos ou fazer uma coisa de cada vez. Erro meu. Mas porque será que nele isso me incomoda tanto? Tvz pq ele faça muita meleca e queira sempre eu por perto como cúmplice.
Quando acontece alguma m... o mais atingido grita logo, esses genes aí são sãos, dá um jeito na sua metade
Essas divisões genéticas nunca são muito amigáveis. Lendo para o Carlos (meu marido, paulista) ele berrou logo, vc é esporrenta, quer tudo para ontem, requer atenção total e integral para si mesma, é egoísta, infantil... (vou matá-lo depois!!!) . -Você botou todos os defeitos em mim e na minha família...- ( se eles são um poço de defeitos, o quê posso fazer?... nem vou ler isso para ele). Registrei o protesto dele para mostrar a vcs a minha grandeza (RSRSRSRS). Agora teremos que brigar para resolver isto. Mas vai ter que esperar eu terminar este post.
Observação importante: vale lembrar que meus filhos têm personalidade forte, os seus são maus educados mesmo.
06/06/2003
Pérolas Infantis
Era época de Natal, final de 2002, 10h da manhã, estava no carro indo para o BarraShopping, pensando nas agruras do dia que teria. Procurar presentes...
-Mãe?!
- Fala, Fernando.
- Mãe, vc fumava maconha?
- Não Fernando, eu fumava cigarro, mas parei . Aí, expliquei a ele a diferença entre cigarro e maconha. Inclusive que usar maconha era ilegal (campanha contra as drogas).
- Ah, tá. Então pq vc parou?
- Pq cigarro faz mal a saúde... se eu tiver que ficar doente, não quero ter procurado esta doença. Ficar me sentindo burra, por saber que podia ter ficado doente e mesmo assim continuei, entendeu?
- HUM, HUM!
16h
Passamos o dia inteiro procurando presentes, fiquei segurando a ferinha que tinha R$600,00 resultado de presentes dos avós e de minha madrinha. Ele queria comprar tudo. Não se mexeu por mais de 30s? Ele já queria saber qto custava. Pilotando, muito orgulhoso, o seu próprio dinheiro!
Estávamos saindo... Estava exausta, só o pozinho. O shopping estava cheio, lotado... As canelas estavam roxas de tantas bolsadas (dada pelos outros e pelas minhas sacolas mesmo).
Parei para procurar o infeliz do cartão do estacionamento, já na fila para pagar que estava dando voltas. Estou no caixa pagando, toda enrolada: com mil sacolas, bolsa, celular e olhando o Fernando. Nisso, absolutamente do nada, o moleque começa a pular e cantar: Mamãe é maconheira, mamãe é maconheira...
Eu agarrei a bochecha dele, e torci - ele tem uma senhora bochecha (embora seja magro, na foto, lá atrás, dá para ver!). Eu queria matá-lo. Todo mundo me olhando. E o povo devia estar pensando: Além de drogada, ela maltrata a criança. Tadinho!
Alguém merece?
Chuva
Quando me mudei para Curitiba, em novembro, estava um frio do cão e chovia...tive uma pequena amostra do clima aprazível local (eca)!
Havíamos saído do Rio, com 42º graus, em Curitiba fazia 12°. A chuva persistiu por 4 dias seguidos. A minha secadora não estava instalada, na realidade estava quebrada, pois no Rio era só abrir as janelas, que a roupa secava.
No terceiro dia estava em desespero absoluto. A roupa não secava, ainda tinha caixas para desembalar, faltava armários...
Liguei para o Carlos:
- Olha, se chover amanhã, não tenho mais roupa para as crianças, todos os moletons estão molhados (Gabriela tinha 6 anos e o Fernando 3).
- Vamos ao shopping e compraremos.
No dia seguinte, pela manhã, acordo com a Gabriela berrando:
- Mãe, mãe!!!
Pulei da cama, quase enfartando... lugar estranho...sacumé?! A cama dela ficava embaixo da janela. Quando eu cheguei no quarto, aquela carinha de anjo sorriu para mim absolutamente surpresa:
- Mãe, aqui também tem sol.
Quase morri de rir, mal sabia eu, que deveria aproveitar todas as chances de ver o sol, que por lá é figurinha rara, o ano inteiro.
Um Negro
A Gabriela era pequena, devia ter uns dois anos, acho que nunca havia sido apresentada a uma pessoa negra. Mãe orgulhosa,levei minha filha para o meu trabalho. Logo na chegada, aproximou-se um colega, muito simpático, que foi logo brincando com ela.
Gabriela, olhou para ele, muito séria, e perguntou: - vc não toma banho não? A minha babá, sempre que eu to pretinha (de sujeira ) me dá banho.
Eu queria morrer. Abrir o chão e sumir!!! Ele muito bem humorado, explicou que ele nascera assim, que não era sujeira. Parecendo não acreditar, Gabriela estendeu o dedinho e passou na mão dele, E COMPLETOU: -PENSEI QUE VC TINHA SE PINTADO DE CANETINHA.
Ele morria de rir, e eu queria que a porta do elevador abrisse para que eu pudesse calmamente me jogar no poço. O elevador chegou, eu capturei ela, não sabia se pedia desculpas, se ficava muda...
Ele trabalhava no térreo, graças à Deus, se ele pega o elevador com a gente, teria que colocá-la de volta no útero... Para ela parar de falar... pq quando ela começava...
Por via das dúvidas escondi as canetinhas dela por uma longa temporada, e comecei a mostrar na rua como as pessoas eram diferentes.
Alguns meses depois...
Na saga de pessoas diferentes, essa criaturinha foi ao mercado comigo. Dias antes havíamos ido ao circo... ela viu muita coisa e foi uma experiência que ela amou. Não costumava leva-la ao mercado, sempre a deixava com a babá.
Ela entrou no supermercado falando sobre anões... depois das compras fomos pagar , nisso passa um anão, lá fora, fora da área dos caixas. A menina começou a gritar e apontar, de dentro do carrinho do mercado (ela estava sentada naquele lugar de colocar crianças, toda torcida):
- Olha mãe, um anão, um anão...
E o anão acelerando o passo, todo mundo olhando, e eu segurando o dedinho e mandando ela parar...
- Igual ao do circo, mãe.
Fiquei pensando, há anos fazia compras ali, nunca tinha visto o tal anão. Justo no dia que fui com ela, justo depois de ela ter ido ao circo, pq comigo?
Depois voltei outras vezes ao mercado, e vi o tal anão, devia ser funcionário administrativo. Algo no olhar dele me dizia que ele se lembrava de mim, não exatamente de mim...
13/06/2003
DDI
Uma ligação de looonga distância:
- Alô?
- Eu queria falar com o serviço de atendimento ao consumidor.
- Pois não.
Minutos depois:
- Serviço de atendimento ao consumidor, Deus falando.
- Deus?
- Sim...
- Nossa, o Senhor, assim...
- Qual é a surpresa, minha filha? Você fala Comigo todo dia.
- Mas o Senhor não responde...
- Isso é o que você pensa. O que você precisa, minha filha?
- Deus, sabe o que é? O Senhor me mandou um filho diferente do que eu pedi.
- Tem certeza, minha filha?
- Olha Deus, eu pedi um modelo luxo e o Senhor me mandou um STD?
- Porque você acha isso, minha filha?
- Eu queria que ele fosse inteligente, calmo, educado... Ele não é nada disso.
- Minha filha, quando ele saiu daqui ele era tudo isso, você é que andou estragando ele.
- Não sei Deus, eu tenho que ensinar tudo para ele, como pode ser inteligente?
- Ele aprende rápido, repara minha filha. Aprende até o que você não ensina. Aprende com suas atitudes.
- Deus, o certificado de garantia esta ilegível, e no lugar do proprietário, não tem meu nome e nem o do pai.
- Filha, você não é a dona dele, você é mais do que isso: é a mãe! Vc está cuidando de um filho Meu, que será entregue ao mundo para realizar boas obras.
- Deus, estão faltando páginas no manual de instrução.
- Como assim, minha filha?
- Dúvidas mais freqüentes, como agir em determinadas situações, o que quer dizer cada tipo de choro... Essas coisas.
- Minha filha, há páginas que só uma mãe pode preencher. Cada ser humano é único, e às vezes um desconhecido para si próprio, então essas páginas podem jamais ser preenchidas; mas com amor, todas as páginas serão preenchidas, pois é esta a única tinta capaz de escrever neste manual. Cabe a você escolher o caminho a tomar.
- Quanto tempo eu tenho de garantia?
- Posso garantir a você, que ele ficará ao seu lado o tempo necessário, tempo este que você nunca achará suficiente. Posso lhe garantir também que você estará sempre ao lado dele, embora muitas vezes não aprove suas atitudes. Se você, verdadeiramente, aprender a ser mãe, estará ao lado dele, para ampará-lo e corrigi-lo. Assim você estará escrevendo mais uma página do manual.
- Deus, eu não tenho mais tempo para mim, ele toma tudo, ocupa todos os espaços. Eu nem me reconheço mais.
- Você não se reconhece em cada vitória de seu filho? Você não reconhece, cada minuto do tempo empregado? Se ele estiver lhe dando muito trabalho, posso trazê-lo de volta.
- ...
- Você quer isso?
- Não, não Deus, eu acho que não sei mais viver sem ele!
- Deus, eu queria me preparar, será que o Senhor pode me dizer qual a pior tarefa, a qual, uma mãe pode ser incumbida?
- Àquelas, para as quais, ela não esteja preparada. Minha filha, Eu lhe dei o filho que você Me pediu. Um filho perfeito é aquele que você ama, seja ele como for. Toda mãe tem filhos perfeitos, porque a perfeição está nos olhos de quem vê e no coração de quem pede. Vai, mãe, cuida do teu filho, vive um dia de cada vez, aprende o que o dia te ensina. Não procure o manual, não busque garantias. Ame, assim você encontrará todas as normas e conhecerá todas as garantias.
- Deus, muito obrigada, se eu precisar posso...
- Pode, minha filha, todas as vezes que você precisar.
A ligação é encerrada. São Pedro anuncia outra ligação, e desconsolado pergunta: elas não aprendem? No que Deus, responde muito pacientemente: Elas já sabem, querem apenas a confirmação. Confirmação de quê? Pergunta São Pedro atônito. Deus, olha, dá uma risadinha e diz: Que têm o filho perfeito.
9:22 AM